segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Além do Amor


(Foto: André L. Soares)
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ALÉM DO AMOR
(André L. Soares)
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Maravilhoso seria possuí-la,
mostrar-me todo e real a ela,
abrir à volúpia uma janela,
o portão, a porta, a casa inteira,
até que se fizesse verdadeira,
alojando-se confortável ao coração.
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E por ser assim profunda, então...
toda palavra se tornando obsoleta,
a felicidade fazendo-se completa,
mergulhados os corpos no silêncio,
faríamos amor, como hoje penso:
a paixão elevada, além da poesia.
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A prática conduzir-nos-ia ao cansaço
e este, ao mais perfeito deleite:
vê-la dormir – tal anjo – ao abandono,
instante em que... atrevido,
eu pararia o universo,
só pra evitar que alguma luz distante
pudesse – talvez – incomodar seu sono.
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Leia também:
Gritos Verticais /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Bicho-do-Mato


(Wolf's Reprisal - Jocarra)
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BICHO-DO-MATO
(André L. Soares)
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Desde cedo deixei
o medo de lado
e me lancei no encalço
dessa lida traiçoeira;
arrebentando elos, cordas,
cabeças, cabaços,
portas, taramelas, cancelas,
porteiras.
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Só desejo o espaço livre
no vasto da estrada,
com a liberdade própria
dos bichos-do-mato;
dispensando tudo
que me seja um fardo,
salto de peito aberto
pelas cachoeiras.
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Não divido meus caminhos
entre o bem e o mal;
tampouco temo a hora
da flecha certeira.
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Sou avesso a qualquer coisa
que imponha limites;
desconheço as leis,
os reis, as fronteiras;
vim ao mundo pelo belo
que a vida oferta:
– o mar, o pôr-do-sol, a areia,
os rabos-de-saia,...
a loucura sensual
do amor à lua-cheia!
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Não divido meus caminhos
entre o bem e o mal;
tampouco temo a hora
da bala certeira.
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