Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Dèjá-Vu


(Black Dress - Edward Martinez)
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DÈJÁ-VU
(André L. Soares)
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Houve uma época
em que a alegria tinha cores quentes
e eu só caminhava olhando pra frente,
acreditando que nada era difícil.
Era um tempo de franca esperança,
todas as noites terminavam em samba.
Minha confiança não via limites,...
eu desconhecia o impossível.
Naqueles dias eu era feito de sorrisos,
o amor era parte de um todo perfeito,
onde cabiam romantismo e outros ideais,
em um mundo de sonhos bons e infinitos.
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Mas agora, tanto tempo depois,
quando já pensava ser tudo isso
parte remota, da felicidade há muito perdida,
você surge e me revira a vida:
alma sem máscaras e corpo nu,...
...aqui.
Então, cá estou eu mergulhado
nesse imenso ‘dèjá-vu’.
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Domingo, 4 de Maio de 2008

Verbos, Por Ti


(Flamenco II - Mark Spain)

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VERBOS, POR TI
(André L. Soares)
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Revelar-me somente ante teu beijo,
dócil ato que espero, em desespero;
pois meu corpo te aguarda, novamente,
na distância de alguma madrugada,
para tomar-te em meus braços,
linda amante...
sem limites, sem tempo, sem ressalvas.
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Dominar-te suave, cravando dentes
nessa pele em que já eriçam pêlos;
e se as mãos limitam teus movimentos
liberdade te chega por entre orgasmos,...
para fazer de ti a minha mulher,
loucamente...
a andar sobre meus rastros.
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Saciar-te os desejos mais ousados,
batizar novas loucuras com teu nome,
de tua carne jamais sentir-me farto,
a teus olhos ser rei, teu deus e homem,...
tendo sempre em teu amor
meu horizonte,...
fonte eterna de augusta felicidade.
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Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Ideologia Nua


(Blue Nude I, 1952 – Henri Matisse)
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IDEOLOGIA NUA
(André L. Soares)
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Inda ontem era tua voz que se ouvia,
destilando frases fortes, sobre a terra...
e os humildes em tuas vestes se agarravam,
ostentando com bravura tuas bandeiras,
lutando de mãos limpas, contras as armas,
organizados para vencer a tirania,...
gritando cânticos nascidos da alma,
irmanados no humanismo das idéias,...
até o instante em que os abandonaste:
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nesse ato de despir-te frente ao mundo,
unindo ao opressor, tua pele então vazia,
ao trair o povo, que hoje segue à revelia.
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Sábado, 19 de Abril de 2008

Alice


(Kizette Sleeping – Tamara de Lempicka)
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ALICE
(André L. Soares)
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Alice, embebida de pureza,
há poucas horas chegara ao planeta,
ainda estava imune à maldade,
quando as notícias velozes
rasgaram-lhe as têmporas.
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Lágrimas verdes vertendo das retinas,
pontas de dor aguda a lhe fisgar o peito,
grito de clave de sol, preso à garganta,
ela então, vê a santa desnuda
sob a luz fria do cotidiano,...
momento em que o belo pintou-se de breu
(sabor amargo de inocência trincada).
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Cansada, recolhe-se ao quarto,
a proteger-se dos cristais e plasmas.
Após sangrar lembranças, cerra as pálpebras,
chora e soluça outra vez, sozinha.
Por fim, Alice adormeceu!
Em seus sonhos ainda existem flores,
a água e a verdade parecem cristalinas
e até o coração do homem é bom.
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Acanhado, procurei algo
que a fizesse sentir-se melhor
quando acordasse;
tentei criar um ‘origami’, mas já era tarde,...
...eu só tinha em mãos, a realidade.
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Segunda-feira, 31 de Março de 2008